COMO PROMOVER UMA CULTURA DE SEGURANÇA NAS EMPRESAS DO MERCADO INDUSTRIAL

ARTIGO DE KIMBERLIN CARDOSO

A segurança no trabalho é primordial para evitar acidentes e promover a saúde dos colaboradores. No setor industrial, por exemplo, foram registrados 1.579 acidentes com energia elétrica em 2021. Segundo o anuário estatístico de acidentes de origem elétrica, emitido pela Abracopel, somente os choques foram responsáveis por 674 óbitos, seguidos pela perda de 46 vidas em incêndios por curto-circuito.

Neste cenário de risco constante, para se proteger não basta apenas tomar os devidos cuidados, ou seguir as normas estabelecidas por órgãos regulamentadores, mas sim estarem respaldados por uma cultura de segurança das empresas para as quais prestam serviço. O grande problema é que tal cultura nem sempre existe ou está fortalecida nas empresas.

Sendo assim, para que profissionais do setor estejam de fato seguros em seu dia a dia de trabalho é preciso haver um compromisso das companhias em criar, construir e sustentar uma forte cultura de segurança, um pilar abrangente da cultura como um todo das empresas, difícil de mudar ou influenciar.

Como desenvolver uma cultura de segurança?

Para consolidar uma cultura de segurança no trabalho é necessário, primeiramente, iniciar a criação de um clima positivo de segurança na empresa, que envolva desde o técnico e o responsável pela operação até os gestores e supervisores da área. Se o alinhamento entre os times e entre todos os níveis hierárquicos forem centralizados na segurança, aos poucos o desenvolvimento de uma cultura de segurança será conquistado, uma vez que esse trabalho é realizado diariamente.

A concretização de uma cultura de segurança sustentável deve, necessariamente, ser implementada através da comunicação e do alinhamento de metas e objetivos focados em segurança para todos os colaboradores. A forma como a segurança é comunicada e como é cobrada dentro de uma companhia pode fazer toda a diferença.

O rastreamento de lesões é um parâmetro comum que a maioria das empresas utiliza para avaliar o sucesso de suas campanhas de segurança. Porém, rastrear a taxa de lesões ou dias desde o último incidente apenas corrói qualquer outra ação no sentido de criar um clima de segurança. Ao invés de influenciar os trabalhadores a se esforçarem para estar seguros, os rastreadores de lesões pressionam os mesmos a evitarem relatar incidentes, criando uma cultura de culpa e vergonha. O ideal é que as companhias foquem em métricas positivas, como objetivos inteligentes, de curto prazo e realistas. Com metas específicas, motivacionais, alcançáveis, graváveis e rastreáveis, os colaboradores ficam motivados e o clima de segurança é impulsionado.

Em conjunto com as metas de curto prazo, a criação de incentivos em torno delas pode auxiliar a manter os profissionais engajados no processo. Pequenas recompensas por alcançar alguns objetivos positivos ou uma certa quantidade de correção de problemas industriais pode aumentar a satisfação do colaborador e direcionar a empresa para uma cultura de segurança ainda mais aprimorada.

Além disso, uma grande parte da segurança nas indústrias está centrada no treinamento adequado, no entanto muitas empresas oferecem treinamentos desatualizados, inadequados ou são totalmente carentes de treinamento de segurança. Desta forma, investir em treinamentos aos colaboradores é essencial para garantir a segurança no dia a dia do trabalho.

Uma das maneiras de reforçar o treinamento, por exemplo, é utilizar os erros como oportunidades de aprendizagem, explicando qual foi esse erro, a melhor maneira de corrigi-lo e o que fazer para que não ocorra novamente. Dessa maneira, os profissionais passam a visualizar cada vez mais um clima positivo de segurança na companhia, removendo o aspecto de policiamento das inspeções, e permitindo que tenham liberdade para atuar com segurança, relembrando as aprendizagens dos treinamentos.

Por fim, é importante pontuar que de nada adianta ter todos os conceitos ou o passo a passo do que fazer no papel, pois para implantar uma forte cultura de segurança é preciso praticar diariamente os pontos abordados. Ao mudar a forma como a comunicação sobre segurança é realizada dentro das indústrias, é viável construir este clima de segurança que, com o tempo, se tornará uma cultura de segurança consolidada e confiável aos profissionais do setor industrial.

 

Kimberlin Cardoso é Especialista de Conteúdo da Fluke do Brasil, companhia líder mundial em ferramentas de teste e medição presente em diversos segmentos da indústria.

 

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